
27.º Fórum da Indústria Têxtil: Compromisso, Partilha e Ação para um Setor Mais Competitivo
O 27.º Fórum da Indústria Têxtil, promovido pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, decorreu no passado dia 4 de julho e marcou um momento de reflexão estratégica e de compromisso coletivo com o futuro da ITV nacional. Realizado no âmbito das comemorações dos 60 anos da ATP e do Dia do Profissional Têxtil, o evento reuniu empresários, académicos, decisores políticos e especialistas para debater os desafios e oportunidades que moldam o presente e o futuro do setor.
Do Passado ao Presente: Uma Indústria em Transformação
A sessão de abertura, conduzida por Ana Dinis, Diretora-Geral da ATP, destacou a importância histórica da indústria têxtil, que representa 17% do emprego na indústria transformadora. Apesar do aumento das exportações no início do ano, a conjuntura atual é marcada por incertezas: quebra de encomendas, custos energéticos elevados e concorrência global intensa. Ainda assim, a dirigente sublinhou a força do setor: “Temos talento e massa crítica para continuar a crescer”.
O economista Augusto Mateus, keynote speaker do primeiro painel, traçou uma análise profunda da evolução da ITV, alertando para a necessidade de criar valor acrescentado e reforçar a competitividade. “A economia começa no mercado, não na matéria-prima”, afirmou, defendendo uma maior colaboração entre empresas e uma aposta clara na inovação e na diferenciação.
Do Presente ao Futuro: Inovação, Sustentabilidade e Digitalização
Ricardo Silva, CEO da Tintex Textiles, trouxe uma visão pragmática sobre os desafios atuais: inflação elevada, estagnação do consumo, pressão sobre salários e dificuldades de tesouraria. A sua intervenção, apoiada por dados económicos, reforçou a urgência de investir em digitalização, automação e colaboração como pilares para aumentar o valor acrescentado e garantir a sustentabilidade do setor.
Competências para o Futuro: Formação e Inovação
O terceiro painel reuniu representantes do MODATEX, CITEVE e Universidade do Minho para discutir as competências necessárias à dupla transição verde e digital. Foram identificadas lacunas na formação técnica, dificuldades na retenção de talento e a necessidade de investir em inteligência artificial e em modelos de formação mais ágeis e adaptados à realidade industrial.
Políticas Públicas: Um Novo Papel para o Estado
O último painel contou com a participação da CCDR-N, CIP e Banco Português de Fomento, que debateram o papel das políticas públicas na competitividade da ITV. Destacou-se a importância de um financiamento mais próximo e menos burocrático, e a necessidade de posicionar Portugal como um produtor de valor e não de baixo custo. “Qualidade diferencial paga-se”, foi uma das mensagens-chave.
Encerramento: Um Setor com Valor e Visão
Mário Jorge Machado, Presidente da ATP, encerrou o fórum com uma análise crítica e inspiradora. Destacou que o VAB da ITV é superior ao da indústria automóvel e alertou para os riscos da concorrência desleal de plataformas asiáticas. Defendeu uma aposta clara na educação dos consumidores, na comunicação e no branding do que é feito em Portugal, com foco na sustentabilidade e na rastreabilidade.
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