Novos materiais reciclados, funcionais e inteligentes para o sector têxtil

Novos materiais reciclados, funcionais e inteligentes para o sector têxtil


A NITextile participou no seminário temático da sociedade portuguesa de materiais (SPM), este ano com a temática novos materiais reciclados, funcionais e inteligentes para o sector têxtil, co-parceria com o CITEVE e o CeNTI, que ocorreu no passado dia 5 de dezembro.

Abertura da sessão foi realizada com Braz Costa do CITEVE onde afirmou que o futuro, a digitalização, o têxtil e muitos outros passam pelos materiais. Seguindo-se com a Professora Sandra Carvalho da SPM que afirmou a importância da sociedade portuguesa dos materiais na sociedade e a importância de partilha do conhecimento.

O evento foi dividido em três partes, a primeira sessão tecnológica de materiais moderada pela Sandra Carvalho (SPM/UC), a segunda sessão industrial de aplicações Moderada pelo Luís Pereira (SPM/FCT-UNL) e a terceira foi uma mesa-redonda moderada pelo Braz Costa (CITEVE).

Na sessão Tecnológica de Materiais foram abordadas temáticas dos materiais na ITV até 2030 pela Carla Silva (CITEVE), a aplicação da nanotecnologia à ITV pela Bruna Moura (CeNTI), materiais de elevado desempenho pelo Nelson Durães (CeNTI), materiais inteligentes pelo José Gonçalves (CeNTI) e a sustentabilidade nos materiais pela Lúcia Rodrigues (CITEVE), onde se reteve:

No que diz respeita ao sector têxtil, Portugal é claramente eclético, onde contempla toda a cadeia de valor (exceto, ainda, a produção de fibras) numa geografia muito próxima, com desafios na área da sustentabilidade até 2030 obrigatórios pela União Europeia, onde se espera que em 2030 todos os produtos colocados no mercado devem ser duráveis, reparáveis, recicláveis, produzidos com grande parte de fibras recicladas, livre de substâncias perigosas e produzidos respeitando o ambiente e os direitos sociais.

As áreas estratégicas para o sector são: 1) novos materiais renováveis, 2) novos processos eco eficientes, 3) novos equipamentos produtivos; 4) novos produtos sustentáveis; 5) novos modelos de negócio e 6) novas métricas & legislação.

A nanotecnologia aplica à ITV tem como foco aportar funcionalidades, design, melhorar adesão de materiais, incrementar a leveza e o toque, mas tem como desafios a industrialização, a regulamentação e os riscos de exposição ainda desconhecidos.

Nos materiais de elevado desempenho os desafios são a reciclagem de multimateriais ou a produção de compósitos monomateriais, assim como a redução de custos de produção e a monitorização estrutural.

Os desafios para os materiais inteligentes são os níveis de integração de eletrónica, o seu desempenho e a sua reciclabilidade no fim de vida, assim como a certificação e regulamentação para produtos híbridos.

Quanto à sustentabilidade dos materiais os desafios são as questões ambientais e sociais relacionadas com a produção das fibras, assim como a sustentabilidade da exploração de fontes renováveis, a validação de resíduos e a sua rastreabilidade. Em 2022 cerca de 1% dos materiais têxteis eram reciclados e espera-se que 2030 sejam cerca de 60%

Na sessão Industrial de Aplicações foram demonstradas soluções industrializadas de conhecimento nas áreas dos materiais pelo Pedro Magalhães (Tintex), Rui Pereira (Pafil), David Macário (ERT), Ana Tavares (Grupo Valérius) e Sandra Ventura (Cork-a-tex yarn), onde se reteve:

Soluções de tingimento com recursos a materiais naturais da região, revestimentos com cortiça e têxteis com propriedades responsivas para aplicações desde a área da moda até em equipamento de proteção pessoal.

Tecnologia de fios de cortiça confortáveis, hipoalergénicos e biodegradáveis, que tem como desafios baixar a pegada de carbono e a exploração e novos materiais.

Dispositivo corporal de assistência para auxílio de movimentos, Exoesqueletos para reduzir esforços físicos em trabalhos manuais de precisão de longa duração em posturas estáticas, como acontece na área da confeção, sendo um excelente exemplo de inovação de processo/produto.

Tecnologias para área automóvel inovadoras, como compósitos sustentáveis, aglomerados de Eva e couro reciclado. Assim como, E-surfaces superfícies interativas, aquecidas, com iluminação e muitas outras com eletrónicas embebida e flexível. Onde o foco do futuro está claramente nos materiais e processos mais sustentáveis.

Modelo de negócio circular, desde a identificação e investimento em tecnologias inovadoras, como a colorifix, recycrom ou nature coatings, até à reciclagem 360 dos produtos têxteis tanto pré-consumo como pós-consumo em novos têxteis e/ou papel.

Na mesa-redonda com Luís Pereira (SPM/FCT-UNL), Clara Pereira (FCUP), Raquel Vieira (Heiq Iberia) e Tony Dias (Simoldes) o foco foi a colaboração de conhecimento, a aplicação de química verde, soluções escaláveis e o mais importante é a afirmação que voz do consumidor e da indústria são essenciais para os centros tecnológicos.

No final houve uma visita às instalações do CeNTI e CITEVE.

Sociedade Portuguesa de Materiais (SPM)