
Estratégias Inovadoras Sustentáveis no ITV
A NITextile participou no evento Estratégias Inovadoras Sustentáveis no STV, da plataforma óma dinamizado pelo Luís Cristino e Filipe Soutinho, que ocorreu no passado dia 23 de novembro, em Famalicão. A sessão teve a abertura com o Luís Cristino que apresentou todos os intervenientes do evento.
A Key Note Speaker Inês Costa da Deloitte apontou a sustentabilidade como um dos fatores de riscos para as empresas, tanto a nível económicos, como ambientais e sociais, onde revelou estudos realizados pela Deloitte que mostraram que a escassez de matérias-primas e o seu custo como os principais fatores de risco. Indicou também que as PME’s são o grupo de empresas com maior carência na consciencialização de medidas de sustentabilidade, onde mostrou a sua preocupação, dado que juntas, são as que mais representam no impacto ambiental. Os riscos enunciados de maior impacto foram o metaverso, circularidade, sustentabilidade e blockchain. No entanto os impulsionadores de tendências apontadas para o ITV foram a sustentabilidade, a segunda vida, a digitalização total, o simbolismo funcional dos benefícios intangíveis e a transformação dos produtos em ativos financeiros com o envelhecimento.
Outro ponto relevante, foi as tendências regulatórias, com cocriação de responsabilidade, onde toda a cadeia de valor, a rastreabilidade, a reciclagem e o investimento tecnológico tem de funcionar como um só. Isto porque está a chegar o sistema de reportar sustentabilidade que obrigará a toda a cadeia reportar e se responsabilizar pelo seu processo. Este reportar obrigará as empresas a recolher e tratar informação que lhe permitirá apoiar decisões estratégicas, mas também exposição de riscos e de reputação. Por outro lado, será possível comparar e medir todas as organizações pelas mesmas regras.
Por fim, deixou algumas questões para reflexão “Quais os maiores desafios da sustentabilidade na sua organização?”, “Quais as prioridades a curto prazo”?
Na segunda parte do evento a Joana Campos (Fashion Makers Studio) moderou a Mesa redonda, que contou com quatro intervenientes do sector ITV.
António Brás Costa do Citeve fez um breve resumo dos trabalhos que Portugal está a fazer no âmbito da sustentabilidade do sector Têxtil e vestuário, onde salientou que a sustentabilidade é para TODOS, e que o início terá de ser pela redução hídrica e energética, assim como por soluções de matérias-primas mais locais.
Ana Silva Tavares da RDD explica que a nova geração de fibras celuloses regeneradas, a partir de resíduos, como é o caso da Circulose, são fibras com boa performance, a procura e o fornecimento são razoáveis, mas que há desafios que precisam de ser ultrapassados, tais como a origem das fibras que são misturadas no fio com estas fibras e o aumento de investimento nestes projetos pilotos, que normalmente são start-ups com muito potencial, mas que o tempo de chegada ao mercado e a sua escalabilidade é um percurso longo e com grandes investimentos.
João Valério da Recutex enunciou a debilidade da recolha de resíduos têxteis em Portugal, sendo uma área que necessita de uma estratégia governamental, caso contrário estamos a perder uma enorme fonte de matéria-prima para a indústria.
Pedro Silva da TMG tecidos explicou que a incorporação de produtos ou materiais sustentáveis tem passado de produtos cápsula para o centro das coleções de desenvolvimento, onde o preço não deixa de ser tema de discussão mas que as novas fibras trazem desempenho e escalabilidade que são cada vez mais valorizadas pela sua diferenciação.
Este painel fechou com o levantamento de tópicos de reflexão para a indústria da amanhã, onde a colaboração entre empresas é cada vez mais importante, a digitalização da indústria e a criação de equipas multidisciplinares dentro da indústria será determinante para fazer face aos desafios.
