IGNITE SESSIONS – Special Edition – Technologies & Materials

IGNITE SESSIONS – Special Edition – Technologies & Materials


A NITextile participou em mais uma “Ignite Sessions”, um evento organizado pela Fibrenamics no passado dia 22 de Novembro e onde foram debatidas as tendências e oportunidades revolucionárias em áreas como energia, smart materials, circularidade e low carbon. Neste evento celebraram-se ainda os 12 anos da Fibrenamics.

O coordenador da Fibrenamics, Raúl Fangueiro, abriu mais uma sessão da “Ignite Sessions” destacando a importância dos materiais avançados á base de fibras e compósitos, que são o core da Fibrenamics. Destacou ainda a importância de serem encontradas soluções sustentáveis sem comprometer a funcionalidade e o propósito das soluções, tendo sempre em conta o preço, desempenho e a colocação no mercado das soluções.

Carlos Silva, Administrador Executivo na InvestBraga, falou da importância da aproximação da inovação e dos centros de conhecimento às empresas, o que permite às mesmas trabalharem em mercados mais competitivos e técnicos. Divulgou ainda os resultados de um estudo do estado da inovação e do empreendedorismo, que colocava o quadrilátero formado pelos municípios de Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães ao nível das grandes cidades em termos de captação de investimento e geração de valor.

Na Keynote realizado por Miguel Marques, presidente do conselho de administração executivo da Inovamar, foi apresentado o Pacto da Bioeconomia Azul, projeto que pretende explorar os recursos do Oceano para o desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços até ao final do ano de 2025. Este projeto envolve 83 entidades no consórcio e para além de se focar na procura de novas soluções sustentáveis, pretende ainda ser o motor de arranque de novos negócios e indústrias nas áreas alimentar, têxtil, farmacêutica e cosmética.

Na primeira tertúlia do evento, o tema focou-se nos materiais e nos tópicos da energia, low carbon, smart materials e circularidade e contou com a participação de Sara Barros (Graphenest), Roberto Teixeira (Devan), Filipa Garcia (Veolia), Jorge Lemos (EcoIbéria) e Luís Filipe Silva (TMG Automotive).

Sara Barros da Graphenest, destacou a importância do grafeno como um material com boas propriedades mecânicas, elétricas térmicas e óticas, para além de ser multifuncional, porque reduz consumo de elementos paralelos e também é compatível com impressão 3D. Este material leva já substitui os metais no encapsulamento das baterias dos automóveis elétricos, o que permite poupanças no peso dos veículos e como consequência, um aumento na autonomia.Na indústria de componentes para a área automóvel, Luís Silva reforçou a importância da TMG Automotive em ajudar os fabricantes a atingirem as suas metas de neutralidade carbónica, investindo para isso em digitalizar os processos internos, gerar e tratar os dados para tomar decisões, prever falhas e evitá-las. As análises do ciclo de vida dos materiais que produzem, a redução do desperdício e a adoção de novas matérias-primas como materiais reciclados ou de base bio, são algumas das estratégias aplicadas pela TMG Automotive. No futuro, esperam que os veículos sejam a continuidade das nossas salas de estar e para tal pretendem desenvolver materiais com auto-limpeza, auto-regenerativos, interativos e com alterações cromáticas.

No mundo das formulações químicas, Roberto Teixeira evidenciou o papel da Devan na procura incessante de novas soluções que permitam poupanças de recursos como água e energia, mantendo as propriedades de desempenho dos materiais convencionais. Para atingirem estes objetivos, contam com a aplicação da Química Verde e desenvolvem soluções verdes desde a origem dos materiais. A Devan produz também materiais que potenciam a performance de atletas no desporto, tal como soluções inovadoras de termorregulação ativa do corpo, ativada com o suor dos atletas.

Filipa Garcia da Veolia deu a conhecer os 3 principais objetivos principais da empresa, que passam por combater a escassez de recursos, água e matérias-primas críticas; Despoluição, tratamento de águas e do ar; e a descarbonização, com projetos para utilizarem hidrogénio nas cogerações em vez de gás natural. A empresa foca-se nos novos materiais que estão a surgir para conseguirem retirar o máximo valor dos seus resíduos e com isto evitar os erros que foram cometidos com a indústria mundial dos plásticos.

Jorge Lemos da EcoIbéria destacou o investimento da empresa em painéis solares, motores com maior eficiência energética, e os planos futuros para a instalação de baterias e parques solares, já que a energia solar representa 23% da energia consumida pela empresa.

Na produção de PET reciclado de grau alimentar Jorge Lemos refletiu na importância de serem instaladas tecnologias de robotização para permitir a separação eficaz e rápida dos resíduos, e também na digitalização do processo. O aproveitamento dos subprodutos gerados pelo processo de reciclagem permite que estes sejam usados por outras indústrias para a produção de outros materiais. Para Jorge Lemos, o Eco-Design é de extrema importância, pois só assim se podem impedir materiais multilaterais de entrar no processo de reciclagem.

A tarde abriu com um Keynote do professor José Martinho Marques de Oliveira, Diretor da Escola Superior de Design, Gestão e Tecnologia De Produção Aveiro-Norte (ESAN), onde foram demonstrados os avanços na tecnologia de Manufatura Aditiva em áreas com a impressão e injeção de novos polímeros, metais e materiais biológicos. São tecnologias revolucionárias e que podem mudar o panorama da personalização e produção deslocalizada, porém o investimento em máquinas de manufatura aditiva é ainda um impedimento para muitas empresas começarem a explorar a tecnologia.

A segunda tertúlia do evento contou com a presença de Filipa Robalo (Borgstena) e Mário Brito (Smart Innovation), sob o mote de tecnologias.

Mário Brito destacou as soluções de nanopartículas produzidas pela Smart Innovation, que permitem a substituição de petroquímicos e inseticidas. As nanopartículas com propriedades ativas ficam ligadas aos materiais e estão sempre ativas, permitindo desta forma fazer menos lavagens, reduzindo o consumo de água e energia ao mesmo tempo. Por se ligarem intrinsecamente aos materiais também tem maior durabilidade do que soluções que apenas são aplicadas superficialmente. As nanopartículas são de base de sílica, o que as torna biodegradáveis.

No caso da Borgstena, Filipa Robalo realçou os investimentos realizados pela empresa na área energética, o que permitiu que se tornassem em utilizadores de eletricidade 100% proveniente de fontes renováveis, alertando, contudo, para a dificuldade de soluções alternativas ao gás natural e propano. A Borgstena também já conta com tecnologias e máquinas que permitem a reutilização e recirculação de águas e pensa investir no futuro próximo em máquinas de tingir sem água, com tecnologia de CO2. Filipa Robalo salientou ainda que apesar dos investimentos para uma transição rumo à sustentabilidade, infelizmente o preço continua a ser um fator decisivo na colocação das encomendas, reforçando a dualidade sustentabilidade vs. preço que as marcas estão dispostas a pagar por ela.